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Homens brasileiros têm mais medo de impotência do que da violência, diz pesquisa

15/07/2014

SÃO PAULO - O homem brasileiro tem mais medo de ficar impotente do que ser traído pela mulher ou mesmo de perder o emprego. É o que revela uma pesquisa patrocinada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Divulgada no Dia do Homem, comemorado nesta terça-feira, a sondagem ouviu 3.500 homens com mais de 40 anos, no mês passado, em sete cidades do país.

Dos entrevistados nacionalmente, 28% responderam que o maior receio era ficar impotente. Para 25%, ser traído é o principal temor. O mesmo percentual se aplicou ao item perder o emprego, enquanto, para 18%, a maior aflição se relaciona ao medo de sofrer um assalto. Ficar doente, sofrer acidentes, ficar sozinho ou não conseguir pagar as dívidas, juntos, somaram 4% dos “fantasmas" do homem, de acordo com a pesquisa.

Mas nem todos pensam igual. Enquanto 56% dos cariocas e dos gaúchos têm mais medo da impotência, para os homens de Salvador o pior é ser traído (42%). Em Goiânia, a infidelidade também é o principal medo deles, com 36%. Em Brasília, perder a ereção é tão ruim quanto ser traído (28% cada). Os paulistanos, hoje, temem mais um assalto (28%) do que a impotência (23%). Já para o mineiro, pior é perder o emprego (48%).

— Ainda hoje existe muito preconceito. Muitas vezes, o machismo impede que o homem cuide da sua própria saúde. O homem precisa ter consciência de que exames como o de toque não vão fazer com que ele perca a virilidade — afirmou o urologista Carlos Corradi, presidente da SBU.

1% NÃO VÃO AO MÉDICO

Apesar do risco de impotência rondar a maioria dos entrevistados, 51% não vão ao médico urologista, especialista na saúde do homem, ou ao cardiologista. E 14% passaram por uma consulta há mais de um ano, enquanto 6% estiveram em um consultório há mais de dois anos.

Dos problemas de saúde que mais preocupam, a falta de ereção (16%) só perde para o câncer (20%). O infarto (14%) e o derrame cerebral (10%) também foram citados por eles. A calvície preocupa tanto quanto a obesidade e diabetes, com apenas 4% cada.

— Eles se acham super-homens e creem que a mulher é o sexo frágil. Elas, na opinião deles, têm a obrigação de ir ao ginecologista uma vez ao ano e fazer todos os exames preventivos. O homem tem medo de fazer exames e achar uma doença. E teme perder a mulher para outro se ficar impotente — disse Corradi.

O tamanho do abdome, a famosa barriga de chope, se incomoda do ponto de vista estético, parece não ser uma preocupação em relação à saúde. Dos 3.500 entrevistados, 55% não sabem a medida da sua própria cintura.

O número ideal deve estar entre 90 e 95 centímetros, e somente 20% dos homens escolheram essa alternativa.

Dos entrevistados para a pesquisa, que teve o apoio da farmacêutica Bayer, 49% tinham idade entre 40 e 50 anos, 33%, entre 51 e 65. E 18%, mais de 65 anos.


83% NÃO CONHECEM ANDROPAUSA

Para quebrar o tabu da falta de ereção, a Sociedade Brasileira de Urologia lançou recentemente a campanha nacional intitulada “De volta ao Controle”. A proposta é passar aos homens o orientação de que o problema tem tratamento, que vai desde medicamentos orais até o uso de próteses penianas.

— É possível, sim, recuperar a função sexual — disse o urologista Archimedes Nardozza Jr, chefe do setor de disfunções sexuais da disciplina de Urologia da Unifesp.

A pesquisa da SBU mostrou a falta de conhecimento masculino sobre os sintomas da andropausa (83%), caracterizada pela queda dos níveis de testosterona no organismo e que, em geral, se manifesta na forma de irritação, cansaço e diminuição da libido.

O levantamento feito nas sete maiores capitais do país expõe que, apesar da preocupação com a falta de ereção, quase metade (48%) dos homens nunca ouviu falar sobre a reposição hormonal com testosterona.

A questão hormonal masculina também foi amplamente discutida por especialistas do mundo inteiro durante o Congresso Europeu de Urologia, realizado recentemente na Suécia.

— Quando indicada pelo médico, a reposição hormonal é segura e benéfica para os homens porque traz segurança cardiovascular, uma vez que melhora os níveis de triglicérides, melhora a resistência à insulina e reduz a gordura abdominal — explicou Nardozza Jr, que participou do congresso.

Segundo o urologista, no Brasil um estudo elaborado no ano passado mostra que 20% dos homens têm níveis de testosterona baixos.

— Há desconhecimento sobre os sintomas da chamada andropausa. Os homens não dosam a testosterona em exame de check-up. Em diabéticos e obesos, por exemplo, esse exame deveria ser obrigatório — alertou Nardozza Jr.

Dados da Sociedade Brasileira de Urologia mostram que de 35% a 75% dos indivíduos diabéticos estão sujeitos a maior risco de disfunção erétil.

REPOSIÇÃO MELHORA DIABETES

Um estudo publicado recentemente no “International Journal of Endocrinology” mostrou uma melhora no controle do diabetes tipo 2 em homens que fizeram reposição hormonal.

Participaram do estudo 661 pacientes, que foram acompanhados durante seis anos. Os resultados indicam que, normalizando os níveis de testosterona, há melhora no controle da glicemia em pacientes obesos e diabéticos.

Um dos autores do estudo, o endocrinologista alemão Farid Saad, da área científica do laboratório Bayer na Alemanha, explica que o grupo pesquisador "decidiu ter um olhar mais atento para os homens com obesidade e diabetes tipo 2". — E encontramos 156 deles. Todos estes homens, quando tratados com testosterona, perderam peso, em média 15%. O inesperado foi a melhoria no diabetes — contou Saad.O endocrinologista João Eduardo Nunes Salles, professor da Santa Casa de São Paulo, alerta que os resultados são gradativos.

— As melhoras não acontecem da noite para o dia. Elas começam após o sexto mês de terapia. O diabetes melhorou porque houve redução da circunferência abdominal e perda de peso. Com menos gordura, maior é a ação da insulina e melhor o controle da doença — diz Salles.

Com o diabetes sob controle e a perda de peso, o organismo masculino pode voltar a produzir testosterona.



Fonte: O Globo - Saúde



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